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Gastronomia clássica e gastronomia funcional: qual é a diferença

7 min de leituraGastronomia funcional · Técnica · Substituições
EEscola Fran TonelloGastronomia funcional · São Paulo
Pratos funcionais finalizados sendo servidos na cozinha da Escola Fran Tonello

Muita gente ouve "gastronomia funcional" e imagina uma cozinha diferente: outra técnica, outro equipamento, outro jeito de fazer. Não é isso. A técnica é exatamente a mesma que se ensina em qualquer escola de gastronomia.

O que muda é o critério. E como o critério muda o ingrediente, muda também o que você precisa saber pra chegar no mesmo resultado.

A definição, sem enfeite

A escola define assim: gastronomia funcional é o encontro da técnica de cozinha com a teoria nutricional: substituição, inclusão, alergias, restrições. Em outras palavras, é técnica de cozinha aplicada com critério nutricional.

Transformar prato bom em prato bom e saudável.

Repare no que a frase não diz. Ela não fala em tirar coisas, nem em comer menos, nem em substituir sabor por virtude. Fala em manter o prato bom e acrescentar um segundo critério na hora de escolher o que entra nele.

A técnica não muda. O critério, sim

Quem estuda gastronomia funcional aprende as mesmas coisas de sempre, e na mesma ordem: os tipos de faca, os cortes de vegetais do julienne ao brunoise, os métodos de cocção (branquear, saltear, vapor, confit), os molhos-mãe, o ponto de cada proteína, a montagem do prato.

O que entra junto é a camada que a cozinha clássica não tem: biodisponibilidade de nutrientes, antinutrientes e como diminuí-los, alimentos alcalinos, aproveitamento integral do alimento, e o que muda entre um ingrediente convencional e um orgânico.

Na prática, o cozinheiro funcional sabe fazer o béchamel clássico. E sabe também o que acontece com a textura quando o leite de vaca sai e o leite de amêndoas entra, e o que fazer pra compensar.

As trocas que aparecem na bancada

Essas são substituições reais, tiradas das receitas dos cursos. Nenhuma delas é "a versão sem graça" da original: cada uma existe porque cumpre a mesma função técnica do ingrediente que saiu.

Na cozinha clássicaNa versão funcional
Farinha de trigoMix de farinhas sem glúten, na proporção certa
Leite de vaca e creme de leiteLeite de amêndoas e creme de castanhas, feitos em casa
Manteiga comumManteiga ghee
Açúcar refinadoMel de tâmara, açúcar de maçã ou demerara
Caldo de carne em cuboCaldo de legumes caseiro
Béchamel com leite e farinhaBéchamel de amêndoas
Pectina em pó industrialPectina natural, extraída do maracujá ou da maçã

Repare que a coluna da direita quase nunca é um produto de prateleira. É quase sempre um preparo: o leite, o creme, a farinha e a pectina são feitos na própria cozinha. É por isso que os cursos começam sempre pelo módulo de bases.

Onde as duas se encontram: os molhos

O melhor exemplo de que a técnica continua a mesma são os molhos clássicos. O béchamel vira béchamel de amêndoas. O hollandaise ganha versão vegana. A estrutura do molho, a ordem dos passos e o ponto continuam iguais ao que está no livro.

O que muda é o ingrediente que faz o trabalho. E pra trocar o ingrediente sem perder o molho, você precisa entender o que ele fazia ali: se era gordura, se era proteína, se era amido, se era só água. Esse entendimento é a gastronomia funcional inteira, resumida.

Funcional não quer dizer sem sabor

Existe uma confusão comum entre comida funcional e comida restritiva. São coisas diferentes. Restringir é tirar. A gastronomia funcional trabalha tanto por substituição quanto por inclusão: entra o que faltava, e sai o que atrapalha.

É por isso que um cardápio funcional tem bolo com cobertura, pão de queijo, lasanha de domingo e sobremesa de colher. O que muda é de que eles são feitos, não o lugar que ocupam na mesa.

Pra quem isso importa na prática

Pra quem tem restrição alimentar em casa, ou cozinha pra quem tem. Pra quem trabalha com alimentação e precisa executar na panela o que prescreve no papel. E pra quem simplesmente quer comer melhor sem abrir mão de sabor.

Em todos esses casos o caminho é o mesmo: aprender a técnica primeiro, e depois o critério. Na ordem inversa não funciona, porque sem técnica você troca o ingrediente e a receita desanda, sem saber por quê.

Gastronomia funcional é uma área da gastronomia, não uma profissão à parte. Quem estuda continua sendo cozinheiro, chef ou confeiteiro, com um critério a mais na escolha do ingrediente.

Fonte: Definições e exemplos retirados do conteúdo publicado dos cursos da Escola Fran Tonello.

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